quinta-feira, fevereiro 12, 2009

A propósito de...harmonia





Por razões profissionais, acabei por envolver-me em filosofias de vida do ponto de vista asiático. Uma leitura aqui outra acolá e começamos a tentar colocar uma adaptação do Feng Shui à moda ocidental. Os estudiosos à séria invocam o Feng Shui original baseado em X, Y e Z e outros simpatizantes apoiam a teoria e por sua vez a prática de W, N e outra coisa qualquer…
Alguma coisa relacionada a esta questão , confesso, veio de encontro a certas necessidades de poder acreditar em algo ou simplesmente para sentir ‘agarrada’ a outro algo em que acreditamos.
Depois de várias teorias colocadas em prática, tais como, determinadas cores, certos objectos, posicionamentos dos pertences e da própria planta do espaço vejo-me perante uma deliciosa novidade que até mesmo deu origem a outro blog : o Jardim Zen
Quando perguntavam-me o que seria um jardim zen, não conseguia definir com a exacta palavra , com o exacto sentido que fizesse com que o outro interlocutor sentisse também, por meu intermédio, exactamente aquilo que deveria significar.
Netnavegando por entre palavras e páginas alheias, deparei-me com esta definição, a qual agradou-me imenso e passo a citá-la:
‘’Por outras palavras, se me pedissem, agora, uma definição de “Jardins Zen”, eu diria que é um espaço onde projectamos a nossa atenção e onde a nossa alma vagueia, sem direcção definida, sem um espaço em concreto, como se flutuasse no tempo, no espaço, no cosmos, bem longe daqui…’’

Sendo assim, recomendo…faça o seu Jardim Zen ou adquira um nos espaços comercias desta área .

Por falar nisso…tenho de tratar do meu…com esta chuva e vento…tenho de colocá-lo em outra harmonia interna.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Se porventura fosse um animal penso que seria uma águia, mas a não é esta a questão a ser colocada...sim...se eu fosse ''um lugar'' este lugar deveria ter muita água, muito verde, muita terra. E, já agora...muito sol, pois isso de invernos não combina muito com a minha ambivalência. Isso vem a propósito das noites em branco...sempre! Desde que tenho consciência de quem sou (?) estou sempre acordada durante a madrugada: a ler, a comer, a pensar, a sonhar, a ''olhar-te'', a irritar-me prq quero dormir e as horas correm... e, quando dou por isso, já começo a ouvir alguns dos barulhos da madrugada, tais como , o camião da recolha do lixo ou os saltos de alguém mais apressado ( nem todos são adeptos do downshifting ).
Isso é a propósito do livro do Lobo Antunes: '' Arquipélago da Insónia'', pois como o próprio nome diz...está aí a minha definição de que se eu fosse ''um lugar'' : um arquipélago da insónia ! Uma ilha sem sono não era suficiente para mim...

terça-feira, janeiro 20, 2009

YES, WE CAN !!


E já temos um novo inquilino…Achei emocionante a entrada na avenida Pensilvania…
Enquanto via as imagens as perguntas de todos os comentadores em todas as línguas desde a SIC Internacional, à CNN, à TVE , à TV Recorrrrrd rsrs, etc etc, com sotaque ou sem sotaque, tudo pairava ao mesmo: primeiras dúvidas…seriam as expectativas infundadas? Quanto tempo vai durar este…’amor’ ? A cobrança não tardará…
Não se tratou de apenas uma mera substituição de poder, mas sim de uma época que termina e que dá início a outra. Lembro-me de ter visto algo nesta mesma conotação, aquando da eleição do presidente do Brasil, o Lula. Sentiu-se a expectativa da cobrança do prometido, da resolução de uma esperança perdida no tempo… um operário do povo no poder? Que conquista soberba!!! Um afro-americano no poder? Que conquista soberba!!! Mesmas questões, mesmas dúvidas e serão as mesmas cobranças…claro está que não se pode comparar o legado, ou seja, os países.
Mas, ultrapassando o lado político, não se pode deixar de falar do lado do glamour, do frescor, dos sorrisos, dos ‘Hi, darling’ do meeting frívolo, mas que move multidões.Ah…os mais aplaudidos: Os Clinton’s , claro, mais para o lado da Hilary e seu lindo casco azul ( sim, a malta com o frio que estava…foi um desfile de casacos, apenas, ahhh e de cachecóis) e para ele apenas ficou provado que uma mancha no vestido alheio , afinal de contas, ainda recebe aplausos ( ups , que mazinha ); as lindíssimas da festa foram , sem dúvida nenhuma, as filhas do Obama ( Oby, para os íntimos) que desfilaram o seu colorido e o orriso de orgulho que fez falta ao Bush com ar de lamento; a figura mais, digamos…olha, foi a Aretha Franklin e o seu ‘chapéu’ ! De resto uma ou outra figura que optou por casacos de outra cor além do monótono preto, aliás como a própria primeira dama que usou uma cor…bem…acho que era verde limão e o estilista sendo cubano, acho que só faltava a tequila!

Enfim, a entrada serena do poderoso…Oby!

Delírio de milhões de mãos que acenavam a uma distância de kilometros e que fez com que eu voltasse a pensar nas expectativas através das palavras do seu discurso mais ‘polite’ do que os proferidos durante a campanha para sua eleição. Ora, no final emocionou e isso é o que importa numa festa!

E vamos almoçar que a ementa parecia interessante! Lagostas, camarão, vinho californiano, tema da festa: coisas do Lincoln.

Mais detalhes podem ver e até copiar a ementa para uma ‘festinha’ da vossa parte! Ah…sou convidada, sim?


http://www.inaugural.senate.gov./

Parafraseando um comentarista:

Acho que isso é do meu amigo Marx:

‘’A história se repete como farsa e a história acontece como tragédia’’


(mas eu cá tenho a impressão de 'isso' é do F. Hegel...)

domingo, janeiro 18, 2009

Preguiça...

Inimiga nº um do início do ano: a preguiça! Mas como não desfrutá-la com este frio e chuva incessantes e que nos faz almejar um resquicio de sol primaveril e melhor ainda: onde anda o raio do verão? Literalmente, odeio o inverno: mão frias, pés frios, preguiça, muita roupa no corpo, calor artificial naaahhhh não combina nada comigo. Desta experiência de início de ano nestas condições, a única coisa que sabe bem é estar por debaixo do cobertor e de preferência...bem acompanhada! E para colocar este cenário mais bélico comigo mesma...o raio da dieta não há meio de aparecer a tal força de vontade, bem...vontade há, mas força ... tá difícil! Nada melhor do que barras e barras de xiculate para 'curar' esta preguiça...nem imaginas o tão quanto é delicioso beber uma lata de leite condesado na cama a ler um bom livro...ahh...divinal...
A minha sorte é que a natureza 'ainda' está do meu lado e não me castiga por fazer estas minhas intempéries! Deve ser o meu feng shui corporal :-D
M... de inverno!! E a malta a curtir o calor e o carnaval na Bahia!!

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Desejos para o tal 'novo' ano...

DESEJOS

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, janeiro 04, 2009

E ''prontos'' ...cá estamos em 2009!




Sim...e...?

Por onde começar quando o intuito é alterar uma vida por completo? Praticamente...como mudar mesmo de vida...

...por onde começar?

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Versão ...novos tempos!

Carlos Drummond de Andrade - Quadrilha - Original

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Pensando melhor...



Para confirmar a minha capacidade ambivalente, concluí ( por enquanto) que é melhor não mexer em equipa que está a ganhar, ou seja, penso que, vou continuar com as minhas ambivalências e com as minhas respectivas raízes nesta área. Não se trata de nenhum passo para trás, apenas vi tudo isso com outros olhos e 'penso eu de que' devo manter esta linha e , eventualmente, passear po outras...enfim...para variar, mais umas contradições para o meu currículum emocional.

Portanto, em fase de comemoração pela eleição do Obama ( vai haver festa no Pelourinho rsrs ) e por ter sido o mês de Novembro do ano passado que concluí o contrário disto. Lá vamos nós à procura do fim do arco íris!

terça-feira, novembro 13, 2007

RENOVAÇÃO

Ora bem...
Portanto, todavia e contudo...

Resolvi mudar e ficarei por uns tempos 'renovando-me' na 'casa' de férias e a entreter-me com as minhas 'ambivalênciaS':

http://www.ambivalencias.blogspot.com/


e ainda poderei estar por aqui :

www.jardim-zen.blogspot.com

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Manutenção

Manutenção...

Isso precisa de uma manutenção ! O raio do MSN resolveu 'sumir' com o meu grupo onde guardava as imagens aqui colocadas :-(

Ora bolas... e agora ?

Vou ter de ir aos saldos e tratar do assunto com novas imagens...

É por isso que n gosto desta revolução informática : se n vais ao lado, ficas lá atrás :-(

terça-feira, janeiro 17, 2006

Abandono...

Abandono...

Na verdade, não é bem isso...
Apenas falta de tempo no trabalho ( e desde qdo o trabalho é lugar para estarmos a 'blogar' e a usar a net do boss? ) e falta de net em casa ( clix é nix = népia ) .
Entretanto...
... e como ninguém fala em outra coisa além das presidenciais...

"Se você realmente deseja ter alguma coisa nesta vida, você deve trabalhar para consegui-la Agora, silêncio, que eu quero ouvir os números do Euromilhões...." - Homer Simpson

segunda-feira, outubro 31, 2005

Novembro...

Novembro...

VL não gosta do mês de Setembro e quanto ao mês de Novembro eu tenho as minhas reticências...
Novembro traz lembranças de um tempo no passado num 'mix' de alegrias e tristezas. Bem... para começar, um mês que começa com o dia 'agendado' com uma ida ao cemitério, não é nada emocionante, mas lembro-me de rir muito com a contradição de, sendo feriado, muitos apreciam ir para a Lagoa do Abaeté ( para quem não conhece: situa-se em Itapoã - Salvador-Bahia e é 'cantada' em verso e prosa pelos poetas ) tomar banho de água doce e apesar da sua areia branca circundante, as suas profundezas tragam corpos através da sua areia movediça e escura... E, num dia de prazer é revelada a dor através da perda onde a 'causa mortis' é a teimosia anual em continuarem a 'ir a banhos' desafiando este perigo. Se eu fosse ainda pequenina perguntaria: "Oh mãe, então no dia 1 de Novembro comemoramos os mortos da Lagoa? "
Novembro é ambivalente...
Uma grande amiga nasceu nesta data, mas aldrabou o BI e colocou a data de nascimento no dia 2 e por mais uma razão não gosto deste mês: Hoje, ela não está cá neste mundo para celebrar e eu chorarei eternamente por isso... Novembro foi o seu casamento, Novembro foi o início de um dos meus grandes relacionamentos, Novembro era quando eu viajava, impreterivelmente, para recarregar energias em Amaralina ( para quem não conhece: praia em Salvador - Bahia onde serão deixadas as minhas cinzas ) e envolver-me nos teus beijos...
Em Novembro vibrava qdo já tinha alcançado os 28 pontos necessários para não fazer recuperação da matéria ( para quem não sabe: fica sem saber ;-) é muito complicado explicar ) , Novembro praparávamos para as primeiras festas , iniciávamos o 'trabalho' para o bronze ou iniciávamos o 'trabalho' para a 'recuperação' das notas ... Novembro tinha como preocupação futura onde encontrar as melhores roupas brancas!
Novembro...
Hoje recordo-te com saudade neste 'mix' de alegria e tristeza...
Além disso, passei a rir das bruxas ! Também foi em Novembro que surgiu uma bruxa empoleirada em sua vassoura e tentou alcançar algo que por direito era meu... Caiu ! ;-) ( ok, eu confesso: derrubei-a )

sexta-feira, setembro 30, 2005

Carta nº 11

Carta nº 11 - by Jorge Bucay em " Cartas para Claudia "
Claudia:

« A felicidade consiste em permitir que tudo aquilo que sucede suceda. »

Escreveu-o Barry Srevens.
Agora escrevo-o eu...
Agora torno-o meu...
Agora é meu.

« A felicidade consiste ( sim ! ) em permitir que tudo aquilo que sucede suceda. »

segunda-feira, setembro 26, 2005

Cantico Negro

'Roubado' de alguém que faz parte de 'TUDO' ;-)

CÂNTICO NEGRO
José Régio
"Vem por aqui" -
dizem-me alguns com os olhos docesEstendendo-me os braços,e seguros de que seria bom que eu os ouvisseQuando me dizem:
"vem por aqui!"
Eu olho-os com os olhos lassos,(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:Criar desumanidade!Não acompanhar ninguém.Que eu vivo com o mesmo sem-à-vontadeCom que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí!
Só vou por onde me levam meus próprios passos...Se ao que busco saber nenhum de vós respondeisPor que me repetis:
"vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,Redemoinhar aos ventos,Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo,Foi só para desflorar florestas virgens,E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!O mais que faça não vale nada.
Como pois sereis vósQue me dareis impulsos, ferramentas e coragemPara eu derrubar os meus obstáculos?...Corre, nas vossas veias o sangue velho dos avós,E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos,
as torrentes,
os desertos...
Ide! Tendes estradas,Tendes jardins, tendes canteiros,Tendes pátria, tendes tetos,E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a,
como um facho,
a arder na noite escura,
E sinto espuma,
e sangue,
e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam
Mais ninguém !!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; Mas eu, que nunca principio nem acabo,Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!Ninguém me peça definições!Ninguém me diga:
"vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou. É uma onda que se alevantou.É um átomo a mais que se animou...Não sei por onde vou,Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
"Cântico Negro", poema de José Régio, contido em POEMAS DE DEUS E DO DIABO, aborda a problemática do indivíduo que anseia por sua afirmação a partir da contestação da norma e do afastamento da vivência coletiva despersonalizadora.
O posicionamento rebelde do "eu" o conduz à afirmação de sua individualidade, partindo da contestação da norma coletiva, que se lhe oferece como um convite, até que, tendo estabelecido uma comparação entre os dois elementos opostos, em torno dos quais se desenvolve o texto - a individualidade e a coletividade —, culmina na decisão final de insubordinação à norma.
INTERPRETAÇÃO
1 Inicialmente, consideremos o título, composto por dois elementos: "cântico" e "negro". O primeiro deixa transparecer a idéia de hino em homenagem a um ente de natureza divina ou levado a esta categoria, e assim remete à lembrança dos cantos religiosos do Velho Testamento em louvor à divindade, dos quais sobressai o "Cântico dos Cânticos", atribuído ao rei Salomão; além do mais, o vocábulo "cântico", independentemente de ser entendido como poema, lembra voz, ato de falar. O segundo elemento pode ser interpretado como "escuro", "sombrio", "maldito", "condenado", e os dois últimos sentidos parecem ser os mais cabíveis ao texto em questão.
Ora, a qualidade de "negro" ("maldito", "condenado") não parece ser própria da natureza de "cântico" ("hino"), mas antes advém daquilo que é exaltado; assim, o título como que denuncia a natureza do poema; para que algo seja "maldito" ou "condenado", é preciso que seja encarado a partir da contestação ou negação de um preceito ou ponto de vista vigentes, livres de tal adjetivação. A significação geral do poema diz respeito, portanto, à exaltação de algo ao tempo em que contesta e nega valores vigentes.
2 A abertura da primeira estrofe ("Vem por aqui") tem, evidentemente, um tom imperativo; o verbo dizer ("dizem-me") empregado em seguida deixa que compreendamos a expressão destacada pelo travessão como uma norma a ser obe­decida enquanto a sua repetição em outros momentos do poema (4º e 17º versos: 'Vem por aqui") define o seu caráter de fórmula pronta e acabada que se oferece impositivamente ao "eu".
A indeterminação do sujeito, contida na forma verbal ("dizem—...") e reforçada com o emprego do indefinido ("alguns"), faz-nos pensar em elementos sem definição individual, que têm como ponto comum e objetivo o "Vem por aqui"; em verdade, a norma é o dado concreto no que toca ao sujeito indeterminado, como se todos se tivessem esfumado e diluído como individualidades; outrossim, a pluralidade de "alguns" revela um sentido coletivo; a norma existe enquanto aceita e mantida pela coletividade, que por sua vez baseia sua existência na normatividade, isto é, norma e coletividade mantêm uma relação de dependência recíproca. Por outro lado, a função de objeto exercida pela primeira pessoa deixa-nos entrever que a subordinação à ordem estabelecida pela normatividade coletiva anula a individualidade.
A norma configura-se um convite persuasivo e aliciante, em decorrência do modo como é apresentada ("com olhos doces" — 1º verso) e uma proposta de participação e convivência ("Estendendo-me os braços," — 2º verso). A segurança pressentida na coletividade ("e seguros" — 2º verso) é acompanhada da expectativa de adesão e da dúvida quanto à validade da obediência ("De que seria bom que eu os ouvisse" – 3º verso).
Ao convite à aceitação da norma coletiva, que aparece nos quatro primeiros versos, nos quais verbalização e comportamento se conjugam, segue-se a resposta da primeira pessoa na atitude de enervamento e indiferença ("Eu olho-os com olhos lassos" — 5º verso), ironia e crítica, em "(Há, nos meus, olhos, ironias e cansaços)" — 6º verso, negativa da convivência ("E cruzo os braços" — 7º verso) e de insubordinação e afastamento da norma ("E nunca vou por ali..." — 8º verso).
Contudo, a atitude rebelde do "eu" é assumida a partir do modo de agir da coletividade; contrapondo "olhos lassos" (5º verso) a "olhos doces" (1º verso), e "E cruzo os braços" (7º verso) a "Estendendo-me os braços" (2º verso) e "nunca vou por ali" (8º verso) a "vem por aqui'" (1º e 4º versos), o "eu" revela que seus estímulos não são buscados no íntimo de sua natureza, uma vez que são encontrados no comportamento coletivo, transparecendo assim que sua atitude contrária aos outros, em essência, consiste apenas em não ser os outros.
3 O "eu" justifica a opção "nunca vou por ali" na definição e imposição do seu caráter individual, desde o 9º verso, onde "minha glória" anuncia e exalta uma natureza cuja existência exige a não participação no coletivo ("Criar desumanidade / Não acompanhar ninguém." – 10º e 11º versos), até o final da quarta estrofe.
Negando-se à diluição de sua individualidade no seio da vivência coletiva, o "eu" pretende um programa existencial não orientado pela norma vigente, mas, antes guiado por impulsos que preexistem ao próprio ser (" - Que eu vivo com o mesmo sem-vontade / Com que rasguei o ventre a minha Mãe." – 12º e 13º versos).
A obediência aos impulsos interiores é reiterada ao longo do poema, onde cada metáfora como que aprofunda ou acrescenta novas nuanças. Assim é que em "Só vou por onde / Me levam meus próprios passos..." (14º e 15º versos) a oposição não se esgota ao nível da norma vs impulsos, mas se amplia conhecido vs desconhecido. Ora, vendo-se na norma o princípio disciplinador da vivência coletiva, a obediência a forças incoercíveis (do 12º ao 15º verso) amplifica o caráter contrário do "eu" em relação à coletividade, através da antinomia razão vs instintos. Porém, a insubordinação à norma quando revelada nos versos citados tem um caráter ambíguo: insubmisso à regra, como produto da razão coletiva, o "eu" torna-se sujeito aos impulsos, passando à condição de objeto de seus instintos ("Me levam meus próprios passos..." — 15º verso).
Pretendendo confirmar sua decisão pela obediência aos impulsos, o sujeito afirma "Prefiro escorregar nos becos lamacentos" (18º verso) e "Como farrapos, arrastar os pés sangrentos" (20º verso), como que tendo consciência da virtualidade de dificuldades, graças à singularidade de sua experiência que não lhe permite apoiar-se em vivências alheias, numa disposição viril de enfrentamento da opção. Todavia, a ambigüidade das expressões usadas pelo "eu" deixa admitir outras interpretações; assim, os próprios vocábulos selecionados na composição do 18º verso lembram riscos, quedas, profundidade, metaforicamente remetendo ao mundo interior; por sua vez, o 20º verso tem toda uma significação de desgaste, de aspectos negativos; desta forma, o sentido desses versos está não só ligado à sondagem interior, mas pode ser associado aos resultados negativos da obediência aos instintos.
Dentro de uma perspectiva individualista, capaz de conduzir o discurso poético ao emprego enfático de "meus próprios...", repetidamente ("meus próprios passos" – 15º verso, "meus próprios pés" – 24º verso), o "eu" PREFERE "Redemoinhar aos ventos" (19º verso), explicitando que a natureza de seu programa de vida não é apenas inspirada em forças subjetivas e transcendentes, mas também voltada centripetamente para si mesmo.
A consciência individual comporta, porém, a compreensão de duas dimensões: a do "eu" e a dimensão do mundo onde se coloca ("Se vim ao mundo" — 22º verso). O vir ao mundo, significando viver, é interpretado metaforicamente como "desflorar florestas virgens" (23º verso) e "desenhar meus próprios pés na areia inexplorada" (24º verso), insistindo na unicidade existencial do sujeito, que deve construir sua existência imprimindo-lhe um cunho particular. Entretanto "meus próprios pés" retoma a idéia de ir "por onde me levam meus próprios passos", que, como já vimos, é a expressão da sujeição aos impulsos; sendo assim do ponto de vista do "eu", a razão e a vontade são encaradas como incapazes de criar novas perspectivas existenciais, cabendo às forças incoercíveis esta possibilidade de criar novos rumos ("florestas virgens" e "areia inexplorada"), reiterando a antinomia razão vs impulsos.
"Se ao que busco saber nenhum de vós responde" (16º verso) evidencia a incompatibilidade entre coletivo e consciência individual, em razão da certeza de que sua significação existencial como indivíduo não está na vivência coletiva, que, no entanto, se configura uma programação pronta que lhe é insistentemente oferecida, a ponto de gerar o estranhamento presente em "Por que me repetis: vem por aqui?" (l 7º verso)
A presença impositiva da coletividade é de tal porte que é diante dela que o "eu" se insubordina, pretende tornar-se independente, tentando afirmar-se como indivíduo a partir da dualidade outros vs "eu", e não partindo inicialmente de sua própria natureza ímpar: este conflito traduz-se em repetidas ocasiões no texto, como por exemplo quando o sujeito se dirige a “Vós" (16º, 17º, 26º, e outros versos) como que se definindo diante de um interlocutor coletivo, como se precisasse desses ouvintes de sua insubordinação e afirmação individual para alcançar a veemência necessária; a negativa repetida ("E nunca vou por ali..." –8º verso, "Não acompanhar ninguém," – 11º verso) e enfática em "Não, não vou por aí" (14º verso) demonstra um esforço em direção à imposição da sua unicidade a partir do distanciamento da convivência regida pela norma ("aí", "ali" indicam a visão à distância do "aqui" coletivo), entretanto em todos esses momentos a atenção continua voltada para o objeto de sua crítica e contestação como se a ele estivesse presa: podemos concluir, pois, que se a norma e a coletividade fossem realmente indiferentes ao "eu" não seriam capazes de provocar ironia, crítica, insubordinação.
4 O questionamento crítico que aparece nos três primeiros versos da quinta estrofe introduz a comparação entre os outros ('Vós") e o "eu", que ressalta a incompatibilidade entre esses elementos. A coletividade é acusada de compromisso com o passado ("Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós", — 29º verso) e de acomodação em face da tradição ("E vós amais o que é fácil!" — 30º verso), enquanto o "eu" está voltado para o absoluto, o metafísico ("Eu amo o Longe e a Miragem," — 31º verso) e para a sondagem interior, para o desafiador ("Amo os abismos, as torrentes, os desertos..." — 32º verso).
Por seu turno, a citação dos elementos componentes do universo e do espírito da coletividade, do 33º ao 36º verso, define o caráter relativo e extrínseco dos valores existenciais, numa evidente oposição a "Loucura", como elemento metafísico, e "espuma, e sangue, e cânticos nos lábios..." — expressões do interesse pelo absoluto e pelos impulsos e valores intrínsecos, estabelecendo, assim, uma nova antinomia: relativo vs absoluto.
5 Em "Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém." (40º verso) o significado do experienciar é colocado mais uma vez num plano metafísico; "Deus e o Diabo", forças indestrutíveis e absolutas, significando Bem e Mal, são anteriores a "regras", "tratados," "filósofos", "sábios", etc. que se constituíram na tentativa de aceitar uma (Bem -"Deus") e excluir, ou talvez simplesmente disciplinar, a outra (Mal — "Diabo"); tentativa esta que se revela inútil pois essas entidades (Deus, Diabo) coexistem, apesar de serem contrárias. A aceitação de forças absolutas como guias existenciais reitera a precariedade dos valores relativos aceitos pela coletividade ("pátrias", "tectos", "regras", etc.). Por sua vez os elementos "pai" e "mãe" (41º verso), como transmissores da vida e tradição, têm o seu caráter físico e relativo ressaltado graças aos versos seguintes (42º e 43º versos). A ambigüidade de "Mas eu, que nunca principio nem acabo, / Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo" (42º e 43º versos) leva-nos a pensar em um primeiro momento na oposição que aí se estabelece em relação a ter nascido de "pai" e "mãe"; ora, o "eu" como ser humano também provém de pai e mãe, portanto o entendimento não pode ser esgotado neste nível; outra idéia nos ocorre quando levamos em conta o "eu", nascido de "Deus" e do "Diabo", como síntese desses elementos contrários, por conseguinte guardando características de ambos, revela-se como algo novo, cuja natureza opositiva em relação ao velho é uma constante. Outrossim, a sétima estrofe amplifica a antinomia relativo vs absoluto de modo a fornecer a expressão mais veemente da dimensão do indivíduo, cujas natureza e existências são regidas por forças transcendentes, capazes de gerar impulsos da maior nobreza ("Deus") e da maior velhacaria ("Diabo")
O conhecimento e a aceitação de forças absolutas como impulsionadoras do existir conduzem o "eu" à decisão final por uma experiência de vida cujo caráter individual é impossível de ser cerceado ("A minha vida é um vendaval que se soltou. / É uma onda que se alevantou. / É um átomo a mais que se animou..." -do 47º ao 49º verso), e é intransferível ("Ninguém me peça definições '." — 45º verso), retomando assim sua insubordinação à norma coletiva na verbalização — "Sei que não vou por aí!" (52º verso).
CONCLUSÃO
O processo evidenciado em todo o poema resulta da incompatibilidade entre vivência coletiva e consciência individual, e seus valores respectivos, como atitudes existenciais que coexistem, mas que se excluem

segunda-feira, setembro 19, 2005

"Tudo o que é reto mente. Toda verdade é sinuosa. O próprio tempo é um círculo."(F. Nietzsche)


Lembrei-me dos bons tempos de conversas no fórum do Sapo... da Leonor e os seus clones a 'brigarem' pelo Nietzsche , pelo Dostoievski e tantos outros...

Já não há Fóruns a 100%... vivemos cada um no seu espaço... no seu blog... no seu fotolog... no seu 'journal' e agora nos vlogs...

A administração já não é a mesma...

segunda-feira, setembro 12, 2005

Magnitudes...

Após a Independência no dia 7 de Setembro, nem tudo tornou-se independente...
Apetece-me escrever:
'magnitude' o caraças...
EU estou aqui onde deveria estar
EU estou assim, como não deveria estar,
portanto...
Prozac, sff
on the rocks

segunda-feira, agosto 29, 2005

De afrodisíacos
Adélia Prado
Tenho um pouco de pudor de contar, mas só um pouco, porque sei que vou acabar contando mesmo. É porque lá em casa a gente não podia falar nem diabo, que levava sabão, quanto mais... ah, no fim eu falo. Coisa do Teodoro, ele quem me contou, você sabe, marido depois de um certo tempo de casamento fala certas coisas com a mulher. O seu não fala? Pois é, e de novo tem um tempão que aconteceu. Lembra aquela história dos queijos? Igual. Demorou um par de anos pra me contar. O pessoal dele é assim, sem pressa. Tem uma história deles lá, que o pai dele, meu sogro, esperou 52 anos pra relatar. Diz ele que esperou os protagonistas morrerem. Tem condição? Mas o Teodoro — foi quando a gente mudou pra casa nova — teve de ir nas Goiabeiras tratar um marceneiro e passou, pra aproveitar, na casa da tia dele, a Carlina do Afonso, e encontrou lá o Gomide. Tou encompridando, acho que é só por medo do fim, mas agora já comecei, então. Então, diz o Teodoro, que o Gomide tirou do bolso do paletó uma trouxinha de palha de milho, cortadas elas todas iguaizinhas e amarradas com uma embirinha da mesma palha. Escolheu, escolheu, pegou uma bem lisa e bem branquinha, tirou o canivete do outro bolso, lambeu a palha pra lá, pra cá, e ficou um tempão lhe passando firme a lâmina, do meio pras pontas, de ponta a ponta, entremeando com lambidas. Depois, ainda segurando a palha entre os dedos, foi a hora de tirar e picar o fumo de rolo bem fininho. Ia picando e pondo na concha da mão. Acabou, guardou o rolo e ficou socavando o fumo na mão com a ponta do canivete. Depois pegou a palha, mais uma lambida e foi pondo nela o fumo, espalhando ele por igual na canaleta formada, pressionando bem pra ficar bem firme. Deu mais uma lambida na parte mais próxima do fumo e com os polegares e indicadores foi enrolando o cigarro devagarinho, uma enrolada e uma lambida, uma enrolada e uma lambida. Com o canivete dobrou uma das pontas para o fumo não escapar, tirou a binga do bolso, acendeu e pegou a pitar. Agora é que vem, ai, ai. Teodoro falou que o tempo todo da operação ele não despregava o olho daquilo. Disse que nem sabe o que tia Carlina arengava, só punha sentido no Gomide fazendo o pito. Diz ele que foi uma coisa tão esquisita — esquisita, não —, tão encantada que ele ficou de pau duro. É isso. Falou também que ficou doido pra sair dali, comprar palha, fumo de rolo e repetir tudo igualzinho ao Gomide. Eu entendo. Quando conheci o Teodoro, ele fumava e eu achava muito emocionante. Tenho muita saudade de quando não existia essa amolação de cigarro dar câncer, nem de mulher ser magra. A gente tinha mais tempo para o que precisa, não é mesmo? Será que faz mal mesmo? Colesterol, depois de tanto barulho, estão falando que já tem do bom. Qualquer dia vou pedir ao Teodoro pra dar uma fumadinha, só pra fazer tipo.
Texto extraído do livro "Filandras", Editora Record - Rio de Janeiro, 2001, pág. 53.

terça-feira, agosto 23, 2005

Tudo sem um todo...



De que vale TUDO sem um todo ?
O conceito de tudo pode abranger um espaço meu que difere do teu...

Ser todo(a) teu(tua)
não é(será) necessariamente
ter tudo...
falta
estar todo...
completamente...



...portanto...

não teremos tudo...
...esperamos ter todo o contexto
para que nos seja permitido
TUDO


[ ora bolas, que conversa mais inexorável... ]

Freedom

Liberdade...
Querer estar
e não, necessariamente, ir para.
Provavelmente, sair de.
Tipo: não procurar e simplesmente encontrar...
Contraditório...
Ambivalente... ( claro ! )
Oportunidade de [se] permitir
de esquecer prioridades
de ousar à primeira percepção...
Qual fenomenologias...

terça-feira, agosto 09, 2005





...não se sabe as razões, apenas há um mistério à volta deste fenómeno antigo: a mala das mulheres...um enigma para os homens...uma salvação para as mulheres... ali encontramos tudo, mas nem todos conseguem ter acesso...lembro-me que qdo tinha os meus 14 anos e perguntavam-me o que tinha na mala respondia sempre: estou pronta para viajar para a Grécia...sabe-se lá porque eu respondia isso...mas sentia-me segura e pronta para qualquer intempérie e nunca duvidei que poderia de facto ir parar à Grécia a qualquer instante...nada detém o poder da mala feminina...o seu conteúdo é pessoal e os seus itens de valor incalculável...sinto-me nua sem aquele conteúdo...conteúdo?...ops...nem sequer sei o que realmente lá dentro se encontra...apenas sei que está lá...e isso conforta-me...

segunda-feira, agosto 08, 2005

Rebirth


Diz Alexander Lowen:


O comportamento natural do ser humano é estar aberto à vida e ao amor. Entretanto, a nossa cultura fez-nos acreditar que não é assim, que devemos estar fechados e desconfiados. Pensamos que, ao agir desta maneira, não seremos feridos pelas surpresas da vida - mas, na verdade, o que acontece é que não estamos a aproveitar nada.

terça-feira, agosto 02, 2005



RESET ........

segunda-feira, maio 30, 2005

Copy Paste imperdível...

Amar não acaba - Frederico Lourenço
Parte 2 - 'prenda' de um grande amigo de sempre...


Amar não acaba é uma crónica pessoal sobre a adolescência, na qual Frederico Lourenço rememora, numa mistura desarmante de candura e humor, a descoberta da sexualidade e o consequente reajuste interior do papel da fé católica, as complexas relações familiares, a escolaridade feita por conta própria fora da escola, as primeiras grandes paixões musicais e a influência de Lanza del Vasto.

À medida que o tempo passa, a vida parece-me ir adquirindo os contornos esfumados do Embarque para Citera pintado por Watteau, paisagem feérica povoada de figuras irreais à espera do amor, como que saídas das páginas de um pequeno Saint-Simon do sentimento, cronista da emoção e de mim próprio.

Imprensa
“Uma pequena pérola ‘proustiana’, com um sopro de Clarice Lispector no título, para contar infância e adolescência em pequenos folhetins, com uma elegância exacta que já não se usa. Do pícaro avô da marinha mercante ao devaneio ‘hare krishna’, da descoberta da (homo)sexualidade à interrogação da igreja, passando pela Figueira da Foz (mas o que é que as pessoas da Figueira têm?), por Sintra e por São Carlos (Wagner, os bailarinos da CNB, Mara Zampieri). Abre-se para espreitar e de repente acaba. Difícil é não o ler.” Alexandra Lucas Coelho, Público

“Percursos iniciáticos, contados na primeira pessoa, por um especialista em cultura clássica, tradutor de Homero, além de outras surpresas. A descoberta da sexualidade, da espiritualidade hindu (rapidamente esquecida), da morte, da música e da amizade, num breve texto de extraordinárias delicadeza e ironia, criando um novo espaço de excepção no nosso panorama literário”. Expresso

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Frederico Lourenço nasceu em Lisboa, em 1963. Licenciou-se, em 1988, em Línguas e Literaturas Clássicas na Universidade de Lisboa, onde se viria a doutorar (1999) com uma tese sobre os cantos líricos de Eurípides. É membro do corpo docente da Faculdade de Letras desde 1990. Além do estudo da poesia grega, tem-se dedicado à exegese da obra de Platão e Camões. Colaborou com a Cinemateca Portuguesa na elaboração de textos sobre cinema e na feitura de vários catálogos. Publicou ensaios de crítica literária nas revistas "Journal of Hellenic Studies", "Classical Quarterly", "Euphrosyne", "Humanitas" e "Colóquio-Letras". Foi colaborador dos jornais Independente, Expresso, Público e, presentemente, da revista "Os Meus Livros". Traduziu também duas tragédias de Eurípides, Hipólito e Íon.
Publicou nos Livros Cotovia a trilogia de romances Pode um Desejo Imenso, O Curso das Estrelas e À Beira do Mundo, obras pelas quais foi distinguido com o prémio PEN Clube 2002. Em Maio de 2003, saiu a tradução em verso da Odisseia homérica, que ganhou o prestigiado Prémio D. Diniz da Casa de Mateus, assim como o Grande Prémio de Tradução - APT (Assoc. Port TRAD)/ PEN Clube 2003.
Actualmente, traduziu a Ilíada homérica, também em verso.

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Mas o motivo de falar deste livro... é tambem falar desta interessante entrevista que Fredericou Lourenço deu ao jornal Diário de Noticias de 12 de Dezembro de 2004.
Vale a pena a ler... e reflectir...

A ideia de amor ou o tapete mágico da imortalidade
Toda a sua obra tem-se construído sob o signo do amor. Amar não Acaba, acabado de publicar, a trilogia romanesca e muitos dos ensaios da Grécia Revisitada passam por aí. Como relaciona o amor com a felicidade?


Fazer do amor um assunto académico e universitário foi difícil. Falar dele num contexto romanesco, de ficção e de escrita criativa talvez seja normal, mas, em Grécia Revisitada tudo o que escrevi sobre Platão, o Banquete e Fedro, e mesmo sobre a tragédia, dir-se-ia uma tentativa de compreensão da mecânica amorosa, das emoções. É um tema que me obceca, talvez por sentir que aí está a chave da felicidade, não possível sem o amor.

Mas o amor é um caminho árduo...

Que tem de ser descoberto, devemos tentar abrir janelas como se o amor fosse o dia e nós estivéssemos às escuras. Mesmo o título deste último livro, Amar não Acaba, passa por aí. Mas este processo criativo foi irracional. Há, de facto, essa continuidade da temática amorosa, até quando penso em romances futuros. Tudo gira em torno de uma arqueologia das emoções.

Não deixa de abordar a intangibilidade da felicidade...

Todos nós temos momentos de felicidade, mas ela não é possível no sentido de uma beatitude total, de continuidade. Os gregos reuniam muitas coisas no conceito de felicidade, o amor não. A palavra que em grego significa felicidade é sinónima da que quer dizer riqueza. Para mim, felicidade sem amor não pode existir e este pode impor-se mesmo quando não está a acontecer no caso de um amor que venha de trás, ou que projectamos para a frente.

É uma Ítaca, o amor?

Sim, uma Ítaca, ou uma ideia de Deus. Sinto na minha vida o amor de Deus, se bem que não o mereça.

Sente esse amor como uma graça?

Sim, no sentido de ser algo inexplicável. Não entendo por que razão sinto a minha vida tão preenchida, tão acompanhada por essa presença divina. Mas sinto-a, muito.

Como liga essa presença divina ao estigma da caducidade a que o amor está associado, como diz Clarice Lispector?

Essa frase é talvez a única do livro perante a qual me interrogo. Será que a deveria ter reformulado? É Clarice quem diz amar não acaba...

Amar não acaba, mas o amor pode acabar. O amor, sobretudo o amor/paixão, não insere em si a perda?

Na minha experiência pessoal, nunca deixei de gostar das pessoas que foram importantes para mim. As relações foram evoluindo num sentido diferente. Tudo na vida está sujeito ao estigma da caducidade, só amar não acaba, não é? O amor dir-se-ia esse tapete mágico da imortalidade, ideia que pode aparecer em Platão, como uma força especial que nos pode levar do mundo sensível para o mundo inteligível. O caminho da transcendência, do divino, está nele também.

E há ou não o Grande Amor na acepção de Safo (como experiência cíclica, repetiva), o tal engano que a poesia greco-romana explorou?

Isso dava um romance. É difícil distinguir o que os gregos querem dizer, porque em grego eros quer dizer amor e sexo. Os autores gregos quando falam do amor e da paixão não se estão a referir à descoberta da pessoa certa. Fascinou-me no Banquete a ideia da procura da cara-metade por não se tratar de uma ideia profundamente grega que encontre eco no resto da literatura. Pode até ser interpretada como tendo sido apresentada por Platão a título paródico. Há quem considere o discurso de Aristófanes cómico e não será por acaso que o terá posto na boca de um comediógrafo. Mas é mais a partir dessa concepção, a da procura da outra metade, da associação da felicidade à plenitude quando encontramos a pessoa certa que amor e felicidade se juntam no ideário grego. No fundo, é só aí, como digo em Grécia Revisitada, porque no próprio Banquete Platão oscila entre as duas ideias do amor a acepção pré-romântica de Aristófanes e a do interesse sexual por outra pessoa.

Já o mito de Tristão dir-se-ia essa espécie de febre maligna que o lirismo ocidental cantou...

Trata-se do amor que só atinge a plenitude na morte. Tristão e Isolda é o mito por excelência do amor--morte eros, tânatos. Também não é uma ideia muito grega, nem que venha ao encontro da minha sensibilidade, embora seja fascinante. O que mais me interessa nesse mito é a pessoa por amor ser capaz de deitar tudo a perder. Foco esse tema de uma forma mais modesta em O Curso das Estrelas, quando Nuno e Concha estão na Capela da Arrábida. Nuno tem essa sensação de que seria capaz de pôr tudo em causa em prol dessa ilusão de amor. Só anos mais tarde, no À Beira do Mundo, se concretiza.

Aí pressente-se, não diria uma angústia metafísica, mas uma inquietação. Falamos de fé e não de religião?

Vejo o mundo com misticismo. Mas, tem razão, falo muito mais de fé do que de religião.

Existe uma ligação à transcendência que atravessa a sua obra, mas associada a uma desintegração da religião na qual foi educado, ou não?

Sim e não. Raramente vou à missa, mas passo muitas vezes por igrejas onde fico a rezar. Tenho, de facto, uma vivência da religião que está desadequada da convenção, da hierarquia, porque a minha sexualidade está em conflito com a maneira católica de a entender. O catolicismo tem muito a progredir nesse campo, embora seja mais aberto do que o cristianismo ortodoxo. Este último vê a homossexualidade como algo satânico. Condenação imediata ao inferno!

Viveu esse conflito, esse choque entre religião e sexo?

Ah, sim, eu adoraria ser católico praticante, ir à missa senão todos os dias, pelo menos uma vez por semana. A maior parte das pessoas que sai da Igreja é por falta de fé. Deixa de se acreditar. Nunca passei por isso. Vou envelhecendo e a fé vai-se consolidando.

Talvez por isso lhe tenha interessado explorar no romance a espiritualidade das relações interpessoais?

Isso interessa-me muito, as emoções, tentar cartografar como as pessoas sentem. Esse é o meu lado de psicólogo, de psicanalista que procura dar, ao mesmo tempo, uma dimensão espiritual.

Se Pausânias, no seu discurso, inclui o tema do amor celeste, exclusivamente homossexual, e considerando Aristófanes a heterossexualidade e a homossexualidade como igualmente naturais, não é só a questão da sexualidade que está em causa?

Claro que não, mas estamos a falar de sexo e de género. Pausânias, ao dizer que há um amor elevado e outro rasteiro, exclui a heterossexualidade dessa dimensão.

Mas essa não é a sua conclusão?

Não, a minha não, mas Platão tenta dizer que a prática verdadeira da filosofia é incompatível com a vida convencional. Todos os seres humanos são grávidos, uns do corpo, os que têm filhos, e os da alma, os homossexuais, que não constituem descendência. Diz depois que da gravidez da alma nascem a filosofia, os grandes poemas... Há uma tentativa de ver as coisas a preto e branco, uma falha a meu ver.

Muito misógina...

Sem dúvida. A cultura grega era misógina.

Há uma ligação entre a concepção helénica de beleza, de que fala em Deleite Estético, e o seu Pode Um Desejo Imenso. Amar também é ver?

Nuno age, perante a beleza de Filipe, como se ele fosse um objecto estético. Na história de Nuno e Vicente, que acaba no À Beira do Mundo, não é assim. Não será tanto a questão do ver que importa. Filipe, por outro lado, já está desfigurado pela doença, o que demonstra a escada do amor platónico. Nuno começa por se fascinar perante a beleza de Filipe, este vai ficando desfigurado, mas amar não acaba.

Faz todo o sentido ligar-se a experiência amorosa da sua trilogia ao Banquete, de Platão...

Claro que faz, sobretudo quanto à escada do amor. No Pode Um Desejo Imenso, pus esta questão na boca de várias personagens. Trata-se de uma caminhada em que a verdadeira beleza não é a física, mas a anímica, a da alma.

Este último livro, centrado na adolescência, embora escrito depois, dir-se-ia um embrião da trilogia...

Talvez porque seja natural, para os leitores, confundir Nuno Galvão com Frederico Lourenço. No fundo, o Frederico do Amar não Acaba pode ser o Nuno adolescente.

Detém-se neste seu livro também na descoberta e vivência da sexualidade, em particular da homossexualidade. Ainda existem guetos para ela? Como é a condição do homossexual?

Nunca senti a minha liberdade coarctada, mas não sou a melhor pessoa para falar nisso. Vivo, no quotidiano, num ambiente quase cem por cento heterossexual.

Não estou a falar de lobbies, mas de guetos... Da exclusão.

Sim, isso sim, há pessoas que sofrem por serem excluídas do mundo heterossexual, eu não. Se trabalhasse num banco, ou na tropa, talvez fosse diferente. Na Universidade, nunca o senti. Mas sei que existe esse tipo de discriminação. Sou, de alguma forma, um privilegiado, familiar e profissionalmente.

Sente-se excluído da Igreja Católica?

A Igreja Católica não entende a homossexualidade, como a sociedade e a própria comunicação social. Há ideias estereotipadas. Um pai e uma mãe têm de lidar com esse estigma porque foram educados no preconceito. Nos países do norte da Europa, nas cidades é uma coisa, nas aldeias outra. Em Munique, os casais andam de mão dada, numa aldeola dos Alpes bávaros não. Não acredito que a sociedade alguma vez mude radicalmente.

Os seus últimos anos foram dedicados a Homero. Traduziu a Odisseia, está a traduzir a Ilíada. Homero eclipsa-se, no entanto, dele pouco se sabe, enquanto Ulisses simboliza a condição humana...

O mais interessante não é saber quem foi Homero, mas o texto. Dediquei os meus últimos anos a Homero e farei ainda um comentário à Odisseia, canto a canto, após a tradução da Ilíada, mas o texto poético da Odisseia é tão arrebatador que não tem de se explicar tudo. Funciona como poema que não foi concebido para ser estudado e lido à lupa como fazemos hoje. Continua a ter essa força.

No fundo, está lá tudo, a dor, o luto, a memória, o sofrimento, a ausência...

O amor, as relações familiares, a viagem. Talvez a Ilíada seja um poema mais profundo do ponto de vista da tragicidade da vida humana. E Homero, como corifeu da tragédia, tem essa dimensão, a da caducidade da vida. O desdém dos deuses pelos homens é impressionante. Diz um deus a outro que, de todas as coisas que rastejam sobre a Terra, nenhuma é mais abjecta do que o ser humano, porque tenta imitar esse lado divino. A ideia de que há uma centelha divina nos seres humanos diz-me muito.

Na Ilíada há uma maior dramaticidade do que na Odisseia, par a par com a faceta bélica?

Ambos os poemas são dramáticos, mas a Ilíada talvez seja um pouco mais; diria mesmo trágica. É mais densa, mais profunda e abrange muitas áreas da vida humana. Caminha para o lado mais escuro, o da vida tendo como fim a morte.

Temos falado de sentimentos. Acha que o seu processo de manifestação muda da Odisseia para a Ilíada?

Os sentimentos da Ilíada são mais avassaladores, mais profundos, talvez porque a morte esteja presente em tudo. Não que isso não aconteça na Odisseia, porque culmina com a carnificina dos pretendentes por parte de Ulisses, mas aqui a morte é mais cinematográfica. Na Ilíada, a morte dá a tónica à vida, à relação entre marido e mulher, pai e filho, entre amigos... É o elo, aquilo que define os sentimentos.

Como encara o acto de traduzir? Há um lado técnico, que supera uma poética, ou não? Como concilia técnica e arte?

Na tradução de Homero, o mais importante é a técnica, porque tem de haver uma coerência e uma consistência muito grandes na linguagem. Inventei uma dicção em português para imitar a dicção homérica na Odisseia. Na Ilíada, segui o mesmo caminho. Tenho pouca liberdade, porque devo obedecer às regras que eu próprio inventei. Gostaria que quem não tem possibilidade de ler Homero na língua original estivesse na tradução portuguesa o mais perto possível do texto em grego. Isso não tem a ver com inspiração. Depois há o lado mais irracional, a musicalidade das palavras.

Frederico Lourenço é um ficcionista, não um poeta. Não sente a ausência desse lado quando está a traduzir?

Quando estou a traduzir Homero sou um poeta. Um poeta para essa finalidade. Um helenista e um poeta, sou um pouco o autor-poeta da tradução da Odisseia e da Ilíada.

Então não há uma oposição entre criador e tradutor? É como tocar um instrumento, tocou piano, toca cravo...

Tentei que essa oposição fosse a menor possível, que a poesia se sobrepusesse à disciplina, mas, como num instrumento, tem de haver a técnica e a arte. Não chegam a musicalidade e a inspiração. Aprendi muito com o piano e a música, sobretudo a ter capacidade de trabalho e disciplina.

Há um desejo de assimilação e de transformação no tradutor?

Pode existir essa tentação. A assimilação é necessária, tenho de interiorizar o texto homérico, para não fazer apenas uma tradução correcta. A transformação é a tentação de mudar alguma coisa. Isso é inevitável. Não emprego uma linguagem pseudoquinhentista, pseudocamoniana. Os meus modelos foram muito mais Sophia, Ruy Belo, Eugénio...

Que lugar ocupa a leitura na sua vida?

O número um. A leitura só dá prazer, a escrita dá muito sofrimento.

Que lhe agrada num escritor?

Tem de ter uma estética interessante. Se for português, que escreva a língua portuguesa de uma maneira que me dê esse prazer que sentimos quando ouvimos música. É difícil existir, num romance, uma história aliciante contada num português feio.

Viver é perigoso, escreveu, um dia, Virginia Woolf, escrever também, disse Clarice Lispector. Vida e escrita funde-as como?

Nessas duas autoras, a vida e a escrita não estão separadas, então em Clarice isso é evidente. Não a vida vivida por fora, mas por dentro. Clarice levou a língua portuguesa ao âmago das coisas. A escrita da Virginia é mais atenta ao que se passa ao nível da percepção exterior. Quanto a mim, vida e escrita fundo-as nos livros. Tenho dificuldade em escrever sobre coisas que não me interessam directamente. Só consigo trazer cá para fora o que está dentro de mim. Tenho de me pôr a mim próprio no centro. A minha vida e a minha escrita estão totalmente entretecidas.





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Lugar interessante...


Escreva!

Escreva!


Eu sei...
O tempo é difícil de ser encontrado...
A mente segue um caminho e o corpo outros horizontes...

Sinto, apenas...

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Livros...

" Amar não acaba "

Título do livro de Frederico Lourenço

A propósito... tenciono deambular sobre esta questão... afinal,será mesmo assim?
Um homem ama uma mulher... uma mulher ama os seus 2 filhos... uma mulher ama um homem... a filha ama o pai e a mãe...
tudo isso apenas para questionar:
Prq o amor entre o homem e a mulher só pode ser 1 versus 1... one by one...enquanto as outras vertentes amorosas podem ser duplicadas, triplicadas e distribuídas de emoções...

se... amar não acaba...

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Perfis

O que somos capazes de fazer por um pouco de serenidade e paz...

Bem...
Eu...
Tem de ser...
Apaguei os meus perfis que estavam a navegar ...

Não os uso...

A borboleta quer voar... imagine as possibilidades...

domingo, dezembro 05, 2004

Compromissoas...

Eu sei... estou em dívida comigo mesma...

Retratarei tal situação perante esta minha fuga disfarçada, mas isso de ser ambivalente credenciada não é fácil...

Tenho de clarificar o aspecto comportamental perante o desafio em desafiar o proíbido, pois por vezes uma interpretação errônea poderá ferir susceptibilidades.
Dane-se... 1º round é sempre fácil de vencer!

sábado, outubro 23, 2004

O conhecimento Tácito é aquele que existe somente nas pessoas.
O conhecimento Explícito reside nos documentos, nos procedimentos, nos post-it, etc.


Hummm... é tudo uma questão de gestão do conhecimento.

O conhecimento pode ser classificado (Nonaka & Takeuchi, 1995) em:

· Conhecimento tácito : algo difícil de ser formalizado e comunicado aos outros.

· Conhecimento Explícito : formal e sistemático, fácil de ser comunicado aos outros.

Estes conteúdos do conhecimento terão sua dinamicidade na organização com base nos processos de criação e troca do conhecimento, segundo elemento das práticas da Gestão do Conhecimento.


Eu bem que avisei que estava condicionada...
Continuando:

Formas de Aprendizagem:

· Aprender com experiência passada.

· Aprender com os outros

· Aprender ao mudar

· Aprender pela análise de desempenho

· Aprender ao treinar

· Aprender por contratação

· Aprender por busca
Estes processos citados podem ser analisados conforme a classificação dos mecanismos , que tem como base a diferenciação entre conhecimento tácito e explícito.

· Do tácito para tácito (Socialização)

· Do tácito para explícito (Externalização)

· Do explícito para explícito (Combinação)

· Do explícito para tácito (Internalização)


E como gerir emocionalmente? Onde usar o bom senso? Será um facto, uma imposição ou simplesmente diplomacia o uso do bom senso? Que não seja resignação... isso não! Tão pouco que seja induzido ao conformismo, aceitação...

sexta-feira, outubro 08, 2004

Falta de amizade? Nop !



Pois é... mesmo assim... há sempre uma hipótese...

quinta-feira, setembro 30, 2004

Baptizo este texto de ''Ode ao desaparecimento''

Baptizo este texto de ''Ode ao desaparecimento''

Prq? Ora... foi recebido de alguém desaparecido...
Considero o desaparecimento uma situação tão pessoal qto o aroma de um perfume... é seu, é próprio, é individual, pessoal e intransmissível como os cartões de crédito.
p.s. ( lembrar-me de 'deletar' estão comparação do cartão de crádito ).

Assim sendo ...

...Contam que uma vez, no início dos tempos, se reuniram todos os sentimentos e
qualidades dos homens num lugar da terra.
Quando o Aborrecimento havia reclamado pela terceira vez, a Loucura, como
sempre tão louca, lhes propôs:

- Vamos brincar de esconde-esconde?
Intriga levantou a sobrancelha intrigada, e a Curiosidade, sem poder
conter-se, perguntou:

-Esconde-esconde? Como é isso?

-É um jogo, explicou a Loucura, em que eu fecho os olhos e começo a contar
de um a um milhão, enquanto vocês se escondem, e quando eu tiver terminado
de contar, o primeiro de vocês que eu encontrar ocupará o meu lugar para
continuar o jogo.

O Entusiasmo dançou seguido pela Euforia, a Alegria deu tantos saltos que
acabou por convencer a Dúvida e até mesmo a Apatia, que nunca se interessava
por nada.

Mas nem todos quiseram participar, a Verdade preferiu não
esconder-se...para quê? Se no final todos a encontravam? A Soberba opinou
que era um jogo muito tonto (no fundo, o que a incomodava era que a ideia
não tivesse sido dela), e a Covardia preferiu não se arriscar.

-Um, dois, três, quatro... - começou a contar a Loucura. A primeira a
esconder-se foi a Pressa, que como sempre caiu atrás da primeira pedra do
caminho.

A Fé subiu ao céu e a Inveja se escondeu atrás da sombra do Triunfo, que com
seu próprio esforço tinha conseguido subir na copa da mais alta árvore.
A Generosidade, quase não consegue esconder-se, pois cada local que
encontrava, lhe parecia maravilhoso para alguns de seus amigos: se era um
lago cristalino, ideal para a Beleza. Se era uma árvore viçosa, ideal para a
Timidez esconder-se em sua copa, se era o voo de uma borboleta, se era uma
rajada de vento, magnífico para a Liberdade. E assim, acabou se
escondendo em um raio de sol.

O Egoísmo, ao contrário, encontrou um local muito bom desde o início.
Ventilado e cómodo, mas apenas para ele.
A Mentira escondeu-se no fundo do oceano (mentira, na realidade, escondeu-se
atrás do arco-íris) e a Paixão e o Desejo, no centro dos vulcões.
O Esquecimento, não me recordo onde se escondeu, mas isso não é o mais
importante.

Quando a Loucura estava lá pelos 999.999, o Amor ainda não havia encontrado
um local para esconder-se, pois todos já estavam ocupados, até que encontrou
uma roseira e, carinhosamente, decidiu esconder-se entre suas flores.

-Um milhão, contou a Loucura e começou a busca. A primeira a aparecer foi a
Pressa, apenas a três passos de uma pedra.
Depois, escutou-se a Fé, discutindo com Deus no céu, sobre zoologia.
O Egoísmo, não teve nem que procurá-lo. Ele sozinho saiu disparado de seu
esconderijo, que na verdade era um ninho de vespas.
De tanto caminhar, sentiu sede, e ao se aproximar de um lago, descobriu a
Beleza. A Dúvida foi mais fácil ainda, pois a encontrou sentada sobre uma
cerca sem decidir de que lado esconder-se. E assim, foi encontrando a todos.
O Talento entre a erva fresca, a Angústia, em uma cova escura, a Mentira
atrás do arco-íris (mentira, estava no fundo do oceano) e até o
Esquecimento, a quem já havia esquecido que estava brincando de
esconde-esconde.

Apenas o Amor não aparecia em local nenhum... A Loucura procurou atrás de
cada árvore, embaixo de cada rocha do planeta e em cima das montanhas.
Quando estava a ponto de dar-se por vencida, encontrou um roseiral, pegou
uma forquilha e começou a mover os ramos, quando, no mesmo instante,
escutou-se um doloroso grito.
Os espinhos tinham ferido o Amor nos olhos. A Loucura não sabia o que fazer
para desculpar-se.
Chorou, chorou, implorou, pediu perdão e até prometeu ser seu guia.

Desde que pela primeira vez se brincou de esconde-esconde

Na Terra ......

O Amor é cego, e a loucura sempre o acompanha.

quarta-feira, setembro 08, 2004

Gosto de ler quase tudo relacionado com loucura, mas que seja do ponto de vista suscinto, claro , conciso, directo...
Não lembro bem qdo, mas nas minhas primeiras lides com a internet deparei-me com uma página assinada pelo Edson Marques com post's acerca da LIBERDADE. Simplesmente amei ! Houve a polémica do filme MUDE que , finalmente, encontra-se em resolução e a coroa ao seu devido rei... Um pouco do seu blog MUDE perante a minha Ambivalência.


sexta-feira, 13 de agosto de 2004
Confesso que vivi alguns dias só relendo Pablo Neruda e tomando sol. Mudei muito uma das frases dele, que ficou mais ou menos assim:
"Se o poeta for louco, não será compreendido por ninguém, talvez apenas por si próprio. E isso é muito triste. Mas se o poeta for racional demais será compreendido por todo mundo, inclusive pelos burros conservadores. E isso também é muito triste".

quarta-feira, 11 de agosto de 2004
A verdadeira aventura tem que ser naturalmente louca, desmedida, inteligente, caótica, pulsante, radical. Mas o aventureiro tem que estar sempre consciente. Se o aventureiro perder a lucidez, deixa de ser um aventureiro — e passa a ser um idiota metido a besta.
O louco tem que ser lúcido.

segunda-feira, 9 de agosto de 2004
Esse caminho que vai das Trevas à Luz é iluminado pela Loucura.
É um perigo. Por isso muitos se perdem!
Mas quem permanece estúpido não corre o risco de salvar-se.
Nem de se perder...

Posted by Edson Marques no seu blog

MUDE

sábado, julho 24, 2004

Petrificação

Pedra sobre pedra...
gostaria de optar e petrificar esta opção...
não tem nada que vá de encontro à inconstência, neste momento, apenas hipóteses que transformam-se em opções e cria-se a malfadada instabilidade...
Petrificar, é uma das soluções ?


Posted by Hello

terça-feira, julho 20, 2004

Actualizações? Vá ao blog...

Quando é que vais actualizar isso? Perguntam-me... não posso forçar o meu exorcismo, digo eu...prq esta obrigatoriedade? Só por ser um blog tem de ser diário? Não! Não e não! Bolas, já tenho ambivalencias que cheguem para este verão e ainda induzem-me a fazer horas extraordinárias e não creio ser psicanalítico este método... Bem de qualquer forma, metodifico ( essa palavra não existe e não tentem procurar na nomenclatura em nenhuma linguística possível) e entro em fase tridimencional ou para estar na moda das telecomunicações, tornei-me 3D. Clarifico melhor prq , afinal, ninguém é obrigado a perceber a minhas adversidades lunares. Nem eu as percebo... Adiante...

Qdo sou eu a exorcizar as minhas questões ambivalentes, encontro-me aqui em AMBIVALENCIAS;

Se estou em transe poético envolvida em estrofes diversas onde identifico afecções dúbias ... estou em WWW.DUALIDADES.BLOGSPOT.COM é o meu espaço DUALIDADES onde sou eu nas palavras de outros;

E qdo não estou com intuito nem pachorra de aturar ninguém nem a mim mesmo... exorciso a minha indisposição e o meu pseudo-baixo-calão em: WWW.DIVORCIO_DE_EMOCOES.BLOGSPOT.COM através do meu Divórcio de Emoções.

Afinal uma ambivalente que se preze... tem de fazer justiça!

E ainda em construção : ww.adversidades-lunares.blogspot.com onde vou tentar extravasar os meus sonhos ou, na verdade, as minhas vidas passadas...

domingo, maio 30, 2004

Começo de um fim não anunciado...



Começo de um fim não anunciado...

Nada aconteceu por mero acaso...eu decidi que assim aconteceria...
Total sanidade, deliberação contínua, loucura autorizada ( mas que raio vem a ser isso? )de um impulso consciente de que , nada nem ninguém, determinará uma consequencia que não seja aquela esperada.


quarta-feira, maio 19, 2004

Frases ou dualidades?

"Na maioria das vezes, um pepino é somente um pepino"
(Freud)»» ( o pepino dá-me azia, posso fazer outra comparação? )
''O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte''(Friedrich Nietzsche)
''O que mais me dói é saber que eu e você nunca seremos nós.'' ( se alguém souber a autoria desta loucura...)
''O inferno é perder a capacidade de amar.'' (Lea Waider)
''Nunca amei outra pessoa do modo que amei a mim mesma.'' (Mae West)»» pois, e ainda dizem que a louca sou eu... isso é que é uma demonstração de pensamento lúcido)
''Não sou como a abelha saqueadora que vai sugar o mel de uma flor, e depois de outra flor. Sou como o negro escaravelho que se enclausura no seio de uma única rosa e vive nela até que ela feche as pétalas sobre ele; e abafado neste aperto supremo, morre entre os braços da flor que elegeu.'' (Roger Martin du Gard) »» (desculpe, mas isso creio que seja masoquismo! )
''Você pode amar muito uma pessoa e ir para a cama com outra.'' (Leila Diniz)»» bem... eu nem digo nada prq todos sabem como a Leila era, portanto...)
''A verdadeira viagem se faz na memória.'' (Marcel Proust)»» mas eu preciso esquecer tanta coisa...)

sábado, maio 08, 2004

Promessas...

Prometo. sim, qual é a dúvida? Adoro este tipo de desafio e penso ser o único momento em que não me sinto ambivalente : enfrentar um desafio. Não será apenas mais uma promessa no conhecido estilo político, mas sim do tipo: ver para crer ou qualquer coisa neste sentido. Para começar, não consigo acrescentar a maldita ferramenta bloguística ddos comentários! DAHHH! É o meu desafio de hoje, simples não?

quarta-feira, abril 21, 2004

Amor e perseguição

Crédito do texto »» http://www.fabi_fotopoema.blogger.com.br/


"As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas". (Norman Mailer). Copiem. Decorem. Aprendam. Temos a mania de achar que amor é algo que se busca. Buscamos o amor nos bares, buscamos o amor na internet, buscamos o amor na parada de ônibus. Como num jogo de esconde-esconde, procuramos pelo amor que está oculto dentro das boates, nas salas de aula, nas platéias dos teatros. Ele certamente está por ali, você quase pode sentir o seu cheiro, precisa apenas descobri-lo e agarrá-lo o mais rápido possível, pois lhe ensinaram que só o amor constrói, só o amor salva, só o amor traz felicidade.
Amor não é medicamento. Se você está deprimido, histérico ou ansioso demais, o amor não se aproximará, e, caso o faça, vai frustrar sua expectativa, porque o amor quer ser recebido com saúde e leveza, ele não suporta a idéia de ser ingerido de quatro em quatro horas, como um antibiótico para combater as bactérias da solidão e da falta de auto-estima. Você já ouviu muitas vezes alguém dizer: "quando eu menos esperava, quando eu havia desistido de procurar, o amor apareceu". Claro, o amor não é bobo, quer ser bem tratado, por isso escolhe as pessoas que, antes de tudo, tratam bem de si mesmas.
O amor, ao contrário do que se pensa, não tem que vir antes de tudo: antes de estabilizar a carreira profissional, antes de viajar pelo mundo, de curtir a vida. Ele não é uma garantia de que, a partir do seu surgimento, tudo o mais dará certo. Queremos o amor como pré-requisito para o sucesso nos outros setores, quando, na verdade, o amor espera primeiro você ser feliz para só então surgir diante de você sem máscara e sem fantasia. É esta a condição. É pegar ou largar. Para quem acha que isso é chantagem, arrisco sair em defesa do amor: ser feliz é uma exigência razoável e não é tarefa tão complicada.
Felizes são aqueles que aprendem a administrar seus conflitos, que aceitam suas oscilações de humor, que dão o melhor de si e não se autoflagelam por causa dos erros que cometem. Felicidade é serenidade. Não tem nada a ver com piscinas, carros e muito menos com príncipes encantados.
O amor é o prêmio para quem relaxa...

terça-feira, fevereiro 10, 2004

sexta-feira, janeiro 30, 2004

Hipóteses...

Olá 2004!

''Nem tudo pode ser controlado...
É uma questão de opção ou consentimento...''
V , a minha ambivalência agradece :-)

E ainda...por falar em H...das hipóteses, é claro!
O pensador Heráclito já dizia, há 500 anos a.C, que o mundo não existiria se não fossem as tensões. Daí a importância de saber agir, de ter um bom QA Quociente de Adversidade, uma forma de lidar com riscos e fracassos.
Tenho um bom QI excelente QE, mas a minha ambivalência dve lá andar perto do meu QA... A psicologia que se preocupe em definições, quiçá um filosófo ou um escritor do estereótipo do OSHO em 'Coragem, a alegria de viver perigosamente'.

Encosto-me no balcão e ao confabular com os meus botões ( mentira, estou com uma t-shirt) considero relevante que hj seja dose dupla de fluoxetina, sendo assim.... solicito ao empregado de mesa: 'Um copo de água, por favor!'

terça-feira, dezembro 23, 2003

Retrocesso

" Sinto-me ridícula em existir... tenho a sensação de que já fiz o que me interressava e que agora as dificuldades, chatices, impecilhos, desavenças,desencontros, tristezas,dualidades, ambivalências, lágrimas, saudades, mágoas, desânimos, injustiças e tudo o mais que possa ser sentido do lado negativo... que fique para os outros...

quarta-feira, novembro 26, 2003

Sing a song

You Make Me Feel Brand New



My love
I'll never find the words, my love
To tell you how I feel, my love
Mere words could not explain
Precious love
You held my life within your hands
Created everything I am
Taught me how to live again

Only you
Cared when I needed a friend
Believed in me through thick and thin
This song is for you
Filled with gratitude and love

God bless you
You make me feel brand new
For God blessed me with you
You make me feel brand new
I sing this song 'cause you
Make me feel brand new

My love
Whenever I was insecure
You built me up and made me sure
You gave my pride back to me
Precious friend
With you I'll always have a friend
You're someone who I can depend
To walk a path that never ends

Without you
My life has no meaning or rhyme
Like notes to a song out of time
How can I repay
You for having faith in me

segunda-feira, novembro 24, 2003

Pensando bem...

"Antes de deixar que a raiva o domine, pense nas consequências"

Arriscas? »» http://www.interney.net/testes/teste006.php

sábado, novembro 22, 2003

Desilusão

DESILUSÃO
Quebrou-se o encanto
o canto
o cantar.
Chegou a vida
que agita
que grita.
Acabou-se o amor
a dor ficou
a flor
que morreu
não cresceu
se esqueceu
de sonhar.
Te amar
te querer
sem poder.
Te olhar
devagar
de sorrir...
e por dentro chorar.
Te perder
sem poder

... nem lutar!

»não sei quem escreveu... o velho copy /paste da net...

sexta-feira, novembro 21, 2003

Descartes - das paixões em geral e ocasionalmente de toda natureza do homem...

Que para conhecer as paixões da alma cumpre distinguir entre as suas funções e as do corpo.

Depois, também considero que não notamos que haja algum sujeito que atue mais imediatamente contra nossa alma do que o corpo ao qual está unida, e que, por conseguinte, devemos pensar que aquilo que nela é uma paixão é comumente nele uma acção; de modo que não existe melhor caminho para chegar ao conhecimento de nossas paixões do que examinar a diferença que há entre a alma e o corpo, a fim de saber a qual dos dois se deve atribuir cada uma das funções existentes em nós.

quarta-feira, novembro 19, 2003

Não sei se fui sincera nas respostas, mas ao fazer um teste algures na blogosfera, o resultado foi :

Athena
Athena


?? Which Of The Greek Gods Are You ??
brought to you by Quizilla

Coincidência ou não... gostei do TH da Athena ( só alguns podem entender esta situação) :-)

sexta-feira, novembro 14, 2003

Opções

Qdo somos 'obrigados' a fazer uma opção é sempre complicado... Mesmo qdo analisamos os prós, os contras, o prisma positivo, o negativo, o melhor, o pior, enfim... o balanço trivial, a escolha, a opção, a decisão, o veredicto final é sempre difícil de ser assumido, mesmo após de tanta ponderação. Quem garante a melhor escolha? A vida? Vida cruel...

terça-feira, novembro 04, 2003

ambivalência masculina x feminina

'' As mulheres gostam que lhe digam palavras de amor. O ponto G está nos ouvidos. Inútil procurá-lo em outro lugar .'' by Isabel Allende

Tão ambíguo os pensamentos dos homens e das mulheres um sobre o outro...

quarta-feira, outubro 29, 2003

Em ''A viagem de Heitor''

Lição nº 1 » Uma boa maneira de estragar a felicidade é fazer comparações.

quinta-feira, outubro 23, 2003

Sins

Sins

Eu nunca faço escolhas, eu quero sempre tudo
Eu digo sempre sim
Eu não me confundo
Eu vou logo aceitando, eu peço sempre muito
Eu quero ver o fundo
Eu não vacilo
O tempo todo eu mudo, eu não duvido
Eu nunca pego restos
Eu não decido, eu quero...
Para estar em movimento, invento alvos

Eu finjo que estou perto
Eu só minto pra mim mesmo
Atrás de freqüências, potências, clarezas
Alcei novas retas, alcei novas rotas
Por onde pulsa a minha pressa
Eu não duvido
E sim eu digo
E sim eu quero
E sins, eu quero...

Adriana Calcanhoto

terça-feira, setembro 09, 2003

''Indiscutibilidades''

...suponho que sejam possibilidades indiscutíveis. Considero uma palavra dentro da sua própria ambivalência. Indiscutivelmente há possibilidades de novas alternativas, novas propostas, novas hipóteses... um tudo novo! Não tenho a certeza do que isso realmente significa, porém o que tem de ser tem muita força, portanto...estou indo, estou fazendo, estou acontecendo, estou amando, estou ficando, estou desejando,estou vivendo , enfim... estou gerundiando !!

sexta-feira, agosto 29, 2003

TU

Bolas... tu fazes-me falta...

''Fluoxetina Temporal''

O tempo passa muito rápido... não senti nem uma pequena brisa que identificasse esta passagem... é pena, pois temos sempre idéias, pensamentos, desejos e sonhos tão loucos que não há espaço temporal para realizá-los e recomeçar a idealizar tudo novamente. Por falar em loucura... Afinal, o Prozac não é nada de fenomenal ou então a fluoxetina não agradou aos meus neurónios!! Não estou a sentir nenhuma inibição na recapturação da minha serotonina :-( Continuo a achar que o melhor é estar muito apaixonada e comer imensos chocolates !! Contudo, será mais fácil ??

sexta-feira, fevereiro 14, 2003

''Serenidade x Psiquiatria''

Decidi que, neste processo de caracterização da ambivalência, o melhor a fazer é : destituir o psiquiatra da sua função! Foi exactamente o que fiz :-) . Posso agora gastar esta verba em algo que faça com que as minhas metades se agrupem e formem uma 3ª hipótese de escolha. Na verdade , despedi o psiquiatra por ele ter cobrado uma consulta a mais indevidamente e esta sua atitude eu não considerei profissional o suficiente para ter o prazer de me ter como paciente. Perante injustiças nunca tenho dúvidas e esta falta de profissionalismo foi uma gota única, mas foi o suficiente para que perdesse os pontos ganhos na minha consideração. Por falar em pontos ganhos... se alguém encontrar alguns pontos perdidos...ops, são meus ! Não é justo perder esses pontos, aliás , não acho justo perder nada! Não acho justo estar no meio de provas circunstanciais e no meio de tudo isso...bem...radicalismo para umas coisas e ambivalência em outras...Continuo à espera da tua serenidade...

sexta-feira, janeiro 03, 2003

''Pessoal e intransferível''

Algumas pessoas ficam na dúvida do que se trata a 'ambivalência' e por vezes perguntam-me como estou ligada a ela. Na verdade, em termos médicos, o assunto pode parecer estranho para as pessoas que me conhecem e, ainda mais, para as pessoas que não tiveram esta oportunidade. Posso, entretanto, dizer com toda a certeza que , no meu caso, não tenho nenhuma esquizofrenia latente !! É uma coisa mais light relacionando-se a apenas com a fase de um acontecimento ocorrido recentemente e em fase de relativa finalização. Além do mais, de acordo com a indicação de uma grande amigo, é uma situação perfeitamente normal perante a dualidade das pessoas do signo de gêmeos :-)

»»Ambivalência Afetiva««
Ambivalência Afetiva é uma alteração da Afetividade muito encontrada na Esquizofrenia. São acentuações afetivas opostas e basicamente simultâneas, tais como o amor, temor e ódio que uma pessoa pode ter em relação a outra no mesmo instante, ou os sentimentos dos acontecimentos que se teme e que se deseja simultaneamente. O paciente ambivalente, apesar de não pode unir ambos sentimentos e tendências opostas, percebe-os ao mesmo tempo (ama e odeia), sem que ambos os sentimentos ajam entre si ou se debilitem. Deseja a morte da mulher e se as alucinações a apresentam morta, pode ao mesmo tempo ficar desesperado e chorar por isso.
Ambivalência Afetiva pode ser entendida como a anormalidade das tendências, e que se caracteriza pela coexistência de juízos contraditórios sobre o mesmo objeto simultaneamente. Portanto, no plano afetivo a Ambivalência consiste em experimentar sentimentos opostos, simultaneamente e em relação ao mesmo objeto.
A Ambivalência Afetiva surge em todas as situações de conflito, especialmente nos Transtornos Neuróticos mas, será na Esquizofrenia que a Ambivalência se apresentará com aspectos mais característicos, patológicos e extremos.


terça-feira, dezembro 10, 2002

2 meses e eu nem coloquei as mãos neste teclado...mas estive presente em outros teclados. Se eu fosse uma escritora, só saberia escrever à noite...é quando chegam as palavras , chega o som do meu interior, chego perto do meu silêncio e aí começo a arrumar as frases todas que saltam dentro deste sono nocturno. Mais uma vez a minha ambivalência me envolve e dualiza comigo...

sexta-feira, outubro 11, 2002

11/10/2002
Não gosto desta data... Faz de conta que hj é 4 de Outubro : dia da minha consulta ao psiquiatra. Primeira vez, sem emoção, sem stress, sem ansiedade... O que fazemos lá dentro? Não me perguntei isso, perguntei ao próprio. Conte-me coisas - disse-me ele...
Tanta coisa para contar...